Três primeiros capítulos de Função CEO: A Descoberta da Verdade

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CAPÍTULO 1

Tentei manter o foco no que Bruno falava. Minha cabeça estava um caos desde que... Era difícil pensar naquela realidade. Aliás, era apenas no que eu pensava. Como se minha vida não fosse carregada o suficiente de momentos desesperadores, eu ainda tinha que aprender a conviver com a falta que Melissa fazia. Suspirei pesadamente.
- Como eu estava dizendo... – a voz de Bruno preencheu minha mente roubando a minha atenção. Encarei meu irmão e ele parecia preocupado comigo.
Era complicado disfarçar a apatia. O pior de tudo era que todos os participantes daquela reunião conheciam muito bem a minha situação. Olívia, Nicole, Paul, Bruno e Tanya. Todos já compartilhavam os meus segredos. Conheciam os crimes da que ainda se dizia minha esposa, sabiam da sua chantagem com Melissa e o motivo do seu desaparecimento. Por isso todos, com exceção de Tanya, faziam vistas grossas para minhas atitudes. Ou as faltas delas.
- As estratégias implantadas atingiram os resultados esperados, por isso eu gostaria de antecipar o que havíamos planejado para o segundo semestre. Acredito que com as informações enviadas pelos consultores de mercado nos mostram que este é o momento mais adequado... – Bruno continuava falando, no entanto me perdi no exato momento em que ele citou o cargo que seria de Melissa.
Droga! Por que eu não conseguia descobrir onde ela estava? Ninguém, ninguém mesmo, conseguia encontrá-la. Nem mesmo Tanya, o que não me deixava decidir se deveria me sentir aliviado ou preocupado.
Claro que acreditei que a melhor estratégia para encontrar a mulher da minha vida era seguir rigorosamente todos os passos de Tanya. Se ela havia sido a culpada daquele afastamento, era do seu interesse cuidar para que permanecesse assim. No entanto nem minha esposa sabia do paradeiro de Melissa. Ninguém sabia.
A mulher da minha vida havia desaparecido enquanto eu dormia, conduzido pelo meu desespero. O que havia acontecido? Como ela conseguiu simplesmente sumir. Deixar de existir. Não havia nenhum lugar no mundo em que Melissa Simon pudesse estar.
Este não era o ponto que mais me preocupava. Eu sabia que se Tanya não conseguiu colocar as garras em Melissa então estava tudo certo, mas não entendia como ela permanecia em silêncio, mesmo já se passando três meses. Nenhuma carta, mensagem, sinal de fumaça... Nada. Era como se ela nunca tivesse existido.
Eu tentava em vão lutar contra a tristeza que me consumia por ter permitido que ela fosse embora. Deveria ser mais forte. Ter mantido ela ao meu lado e cuidar da sua segurança. Eu seria preso. Com certeza seria. Mas Tanya também. E embora soubesse que se ela tivesse ficado a esta altura o nome da minha família estaria na lama, o meu equiparado aos piores pilantras da história de Chicago e o grupo, com certeza, não existiria mais.
Puta que pariu!
Era um inferno e eu não via saída. Tanya conseguiu me cercar de todos os lados, mesmo sabendo que eu também poderia destruí-la. Ela sabia que nada poderia me destruir mais do que o meu calcanhar de Aquiles, Melissa Simon. Eu me apaixonei, e este amor me matou.
Mesmo assim. Mesmo sabendo de todos os perigos, eu ainda a queria ali, ao meu lado, segura, minha, apenas minha. Como sentia a sua falta. Neste instante meus olhos encontraram com os que eu evitava a qualquer custo: Tanya. Ela percebeu o meu abatimento e sorriu, vitoriosa. Minha vontade era esmagá-la como a um inseto. “Tudo no seu tempo, Tanya. Tudo no seu tempo.”
- Existe o problema relacionado aos avanços das pesquisas com a energia nuclear – Paul interferiu salientando os problemas que estávamos enfrentando com os grupos de apoio as causas mundiais. – Deveríamos enfatizar nas pesquisas com as células tronco e destacar nossas descobertas. Todos vocês sabem que nossas máquinas ficam obsoletas em um piscar de olhos. Estamos vendendo e trabalhando bem com os países subdesenvolvidos, mesmo assim devemos tomar cuidado para que outra empresa nos ultrapasse.
- Por isso quero adiantar os planos do segundo semestre. Esta é a nossa hora. Estamos em uma excelente fase, com ótimos resultados em todos os nossos setores. Acabamos de adquirir um grupo de jovens cientistas que...
Mais uma vez me perdi na conversa. Melissa adoraria participar desta nova fase. O ano novo, assim como o novos investimentos, os mesmos que ela havia ajudado a planejar, nos deixavam em estado de glória. Seria perfeito, mas não era. Nada mais tinha graça e valor. Principalmente porque eu sabia que em muito breve a guerra, até então adiada, aconteceria. Não daria para esconder a vida toda a sujeira por debaixo do tapete. Mais cedo ou mais tarde eu ou Tanya cairíamos, e o tombo faria um barulho impossível de ser ignorado.
- E então? – olhei para minha mãe que me encarava tentando disfarçar a sua piedade. Senti ódio.
- Se você acredita que é necessário... – eu não poderia opinar. Pouco havia conseguido absorver daquela reunião. Minha cabeça só conseguia trabalhar em uma forma de derrubar Tanya e de encontrar Melissa.
- Não sei como vamos manter a nossa posição se o nosso CEO anda mais preocupado com suas necessidades do que com o grupo – todos olharam para Tanya, mas ela não se intimidou. – Há dois meses eu venho pedindo o apoio de você para algo que vai muito além dos nossos interesses pessoais. Robert perdeu a capacidade de gerir estas empresas. Ele não tem disposição, nem vontade para manter tudo com pulso forte. Desde que Melissa desapareceu da face da terra...
- Já chega, Tanya.
Levantei recolhendo os papéis a minha frente. Abgail levantou rapidamente para pegá-los de minhas mãos. Era impossível olhar a minha secretária sem sentir a pontada de tristeza por não ser Melissa a estar ali. Abby voltou a trabalhar assim que minha namorada sumiu no mundo. Ela insistiu que estava bem e que não poderíamos arriscar com uma nova secretária. Acabei concordando, afinal de contas, estávamos em guerra, era melhor não arriscar.
– O conselho está reunido aqui e se for da vontade de todos que eu me afaste do cargo...
- Não – Olívia foi categórica, sem nem se dar ao trabalho de olhar para a minha esposa. – Nossa opinião continua sendo a mesma. Ninguém melhor do que você, meu filho, para gerir os nossos interesses.
- Obrigado! Já que estamos decididos, obrigado a todos pela presença. Bruno você tem o meu aval para dar início ao projeto. Vamos para o almoço, voltamos em duas horas.
Tanya me encarou com olhos que diziam muito mais do que a serenidade que tentavam transparecer. Ela tentava em vão me fazer reagir a suas investidas. Seu mais recente plano era me derrubar do cargo de CEO. Era uma cretina.
- Pedi o seu almoço – Abgail informou enquanto Olívia caminhava em minha direção. – Vai ser mais fácil despistá-la – piscou e saiu. Sorri. Abby era uma ótima amiga.
- Vamos almoçar? – minha mãe entrelaçou o seu braço ao meu e me puxou para fora da sala de reunião.
- Abgail já providenciou o meu almoço, Olívia. Tenho coisas importantes para resolver. Estas reuniões estão atrasando o meu trabalho – ela sorriu e acariciou o meu braço.
- Você emagreceu. Preciso conferir de perto como anda se alimentando. Por que não vem passar um tempo com a sua mãe? – passei a mão nos cabelos e tentei sorrir. Se Olívia soubesse o quanto desejei poder simplesmente passar um tempo com alguém que não desejasse me destruir.
- Já passei da idade de dar trabalho a mãe. Eu estou me cuidando. É só o ritmo acelerado do início do ano. Não se preocupe. Nicole com certeza vai adorar almoçar com você.
- Sim. Já combinamos tudo. De qualquer forma, hoje à noite eu quero você lá em casa. Você sabe que...
- Robert? – Tanya se aproximou impedindo minha mãe de continuar a conversa. – Precisamos acertar alguns detalhes a respeito daquela doação.
- Com licença – Olívia se despediu de mim sem olhar para Tanya. Ela não conseguia interagir mais do que o necessário com a minha esposa, ainda chocada com todas as revelações. Ao menos assim eu sabia que a minha mãe estaria protegida da sua influência.
- Sobre o que você quer conversar, Tanya. Pensei ter deixado claro que não aprovo e não aprovarei a doação enquanto não houver um real recadastramento destas instituições. Você ainda não me entregou o culpado pelo último desfalque. Ainda tenho as provas e estou apenas aguardando encontrar o culpado para entregar a polícia. Não posso mais admitir que situações como estas aconteçam.
- Eu te disse. Não sabemos como tudo aconteceu. Não podemos parar com as doações porque alguém conseguiu nos roubar.
Olhei pra Tanya deixando claro que ela não conseguiria me enganar. Ela me encarou com olhos duros. Desde que Melissa aceitou as suas chantagens e finalmente me rendi a voltar para casa que dividíamos, nos agredíamos em um confronto direto e claro. Na verdade, eu ignorava Tanya de todas as formas possíveis. Não havia mais a necessidade de fingir um relacionamento, muito menos de tratá-la com cortesia, como acontecia antes, quando a minha família não sabia da verdade. No entanto, dentro da empresa era impossível fingir que ela não existia.
Ela também não colaborava muito. Seus ataques eram reais e certeiros. Tentava me desacreditar. Mexia com a minha capacidade profissional, alertava minha apatia, brincava com minha tristeza e se divertia com o meu sofrimento. Eu a odiava.
- Os grupos vão cair sobre as nossas empresas sem nenhuma piedade, Robert. Se você não suaviza por um lado, não consegue encobrir o outro.
- Não estamos fazendo nada de errado. Muitas propriedades foram compradas com o dinheiro deste grupo, doadas para uma instituição teoricamente fantasma, e depois de restauradas com o nosso dinheiro, foram vendidas com supervalorização. E ninguém consegue achar um culpado.
- A pessoa se apresentou com um projeto. Havia uma via legal para tudo o que fizemos. Como poderíamos prever que seria uma quadrilha? Muitas empresas estão caindo no mesmo golpe.
- Então precisamos mudar nossas estratégias. Pelo visto a forma como você está gerindo seu setor não é a mais adequada. Quem pode me garantir que não existe um dedo seu nesta podridão toda?
Eu tinha quase certeza de que Tanya sabia que eu possuía as provas para incriminá-la. No entanto ela não agia porque acreditava que eu temia por Melissa. Eu realmente temi pela minha namorada, até me certificar de que nem mesmo a minha esposa seria capaz de encontrá-la. Se existia uma hora em que eu poderia agir para destruir Tanya, era aquela.
- Prove que eu estou envolvida em cada um dos seu tropeços, Robert. Apresente para a comissão a minha culpa – ela sorriu, mas seus olhos estavam raivosos. – Enquanto você não consegue nada, tenha em mente que eu ainda sou a segunda maior acionista e que a sua função não permite que impeça os meus projetos. Projetos estes que aliás, estão salvando a sua pele, ou você prefere ter os ambientalistas bombardeando cada um dos seus novos investimentos? Lembre-se, célula tronco, clonagem, nada disso consegue ser bem aceito pela sociedade. A humanidade ainda é um monte de primatas brincando de ser Deus. Não se engane. Deus não perde o seu tempo com avanços científicos, mas sim com projetos que o torna acima de todos. Ele é um estrategista, assim como eu.
- Ou um CEO, assim como eu.
Seu sorriso se desfez. Tanya me encarou por alguns segundos até que desistiu.
- Vou levar o problema ao conselho durante a segunda pauta. Caso eles não queiram me dar crédito, levarei a situação ao grupos ambientalistas. Vamos ver quantos passos você consegue dar após eles saberem o que está fazendo.
- Com licença, Tanya. Eu tenho coisas mais importantes par fazer do que ouvir suas ameaças.
Dando-lhe as costas entrei em minha sala, ciente de que ela poderia me seguir, se assim desejasse. No entanto Tanya deu o assunto por encerrado. Derrotado, sentei em minha cadeira e encarei o computador. Nada mais era seguro. Minha esposa não fez questão de esconder que enquanto eu me afundava em tristeza e depressão, ela agia, cercando-me de todos os lados.
O sumiço de Melissa tirou o meu chão. Demorei dias para voltar a entender que precisava continuar, que Tanya não recuaria e principalmente que não poderia ter a mulher que eu amava enquanto aquele inferno não tivesse fim. Tudo o que eu podia fazer então, era vigiar e aguardar, e foi o que eu fiz.
- Posso trazer seu almoço? – olhei para Abgail e fui cercado por uma pontada de tristeza.
- Não sinto fome – para disfarçar liguei o computador e acessei a minha conta.
- Você nunca tem fome, Robert. Mesmo assim, é importante continuar – desisti de tentar manter distância daquela realidade. Encostei na cadeira e passei as mãos pelos cabelos.
- Eu só queria encontrar as malditas provas. Descobrir onde Tanya as esconde. Se conseguisse neutralizar seus ataques eu passaria por cima dela como um rolo compressor.
- Eu sei. Eu também – ela me olhou de uma maneira estranha. Havia algo de diferente em minha secretária, que era disfarçado pelo seu habitual temperamento complacente. – Vou buscar seu almoço.
Abby saiu da sala voltando logo depois. Como de costume, sentou à minha frente para almoçarmos juntos. Encarei meu prato sem nenhuma vontade de me alimentar. Ela comeu olhando-me atentamente, como se quisesse me incentivar.
- Como está seu relacionamento com Adam? – ela sorriu.
- Adam é um cretino.
- Concordo.
- Ele continua achando que eu posso ajudá-lo a localizar Melissa, e Tanya continua acreditando que eu sou manipulada pela sua marionete.
- É bom que ela continue acreditando – Abby comeu em silencio. Coloquei um pouco de comida na boca, mas pela necessidade de permanecer forte do que pela vontade.
- Abby, eu sei que já te perguntei isso antes, mas...
- Eu não posso te ajudar, Robert. Sinto muito!
- Certo. Certo – voltei a comer, desesperado para encontrar alguma coisa que ocupasse a minha mente que não estivesse diretamente ligada a Melissa.
- Ela vai aparecer.
- Eu só fico preocupado.
- Melissa não é nenhuma menina frágil. Ela é mais forte do que você é capaz de imaginar.
- Eu sei. Mesmo assim, não consigo deixar de me preocupar – Abby me olhou, pensativa. Seu expressão chamou a minha atenção.
- Cuidado com suas expectativas – foi como um lamento. Imediatamente fiquei em alerta.
- O que você sabe que eu não sei, Abgail? – ela se mexeu incomodada, mas sorriu com inocência.
- Apenas que Melissa é uma pessoa complicada. Ela nunca é o que esperamos que seja – a lembrança do quanto aquelas palavras eram verdade me fez sorrir e ao mesmo tempo ficar receoso. – Precisa de mais alguma coisa?
- Não. Obrigado!
Assim que Abgail saiu, peguei o telefone e liguei para Tom. Pela primeira vez em três anos eu não conseguia contato com o meu investigador particular. O que estava acontecendo?
- Droga!
Tentei mais uma vez. Nada. Tom não entrava em contato há dois dias. Eu nada sabia a respeito de Tanya, das suas armações e principalmente da nossa incansável buscar por Melissa Simon. Meu telefone tocou.
- Sim?
- Sr. Carter, a Srta. Garcia está aqui com um arquivo solicitado pelo senhor. O que devo fazer?
- Srta. Garcia? – quem diabos era a Srta. Garcia?
- Hum! A nova assistente executiva do Sr. Otaki – olhei para fora da sala, visualizando a mulher em questão.
Ela era alta, pele levemente bronzeada, cabelos loiros cortados na altura dos ombros. Possuía um corpo escultural, embora estivesse usando roupas executivas. Sua blusa branca permitia que o volume dos seios fosse apreciado pela fenda do decote discreto. Ela era desejável. Usava óculos, o que a deixava ainda mais sensual. Instintivamente minha mente lançou milhares de imagens de Melissa naquela sala. Seus sorrisos, seus olhares, seus gestos tímidos e ousados. Suspirei desviando o olhar.
- Sr. Carter?
- Mande-a entrar – desliguei antes que Abgail conseguisse me entupir de perguntas.
A garota entrou com passos firmes de alguém que sabe o que está fazendo. Era destemida. Seus olhos azuis encontraram os meus. Puta que pariu! Como eu sentia a falta de Melissa.
- Sr. Carter, o relatório solicitado – ela entregou sem aguardar por mim.
- Srta. Garcia – observei sua reação. Ela nada disse, apenas me encarava. – Em que exatamente a senhorita trabalha?
- Setor de segurança da informação, senhor – sorri. Minha ideia a respeito das mulheres que compunham tal setor não chegava nem perto do que a Srta. Garcia era.
- Conseguiram identificar alguma falha? – peguei o relatório sem querer me envolver com ele enquanto a mulher estava a minha frente.
- O Sr. Otaki seria a pessoa mais competente para informá-lo, senhor.
- A senhorita, não? – tentei ser intimidador, mas ela não pareceu surpresa nem temerosa.
- Com certeza, sim. Contudo eu sigo ordens e a que recebi do Sr. Otaki foram claras.
- Eu dou as ordens. Fale-me o que encontrou – ela suspirou pesadamente.
- Seu computador continua protegido, senhor.
- Apenas isso?
- Sim, Sr. Carter. Identificamos diversas ameaças de invasão, além de uma busca minuciosa a respeito dos documentos que os senhor utiliza nas nuvens, contudo o esquema ainda é seguro.
- Entendo. E os demais computadores da empresa?
- Todos, sem exceção, sofreram ataques. Os que não ofereciam riscos foram invadidos e utilizados como porta de entrada. Conseguimos sanar os problemas e nenhuma informação vazou.
- Os setores de pesquisas, os projetos...
- Nada. Todos os estudos e pesquisas continuam reservados na mais perfeita segurança.
- Inclusive os que apenas eu tenho acesso?
- Principalmente, senhor.
- Ok. Obrigado, Srta. Garcia. Isso é tudo – ela sorriu e seus lábios eram extremamente convidativos. Tive o cuidado de não olhá-la mais do que deveria.
“Melissa me mataria”
Meu telefone voltou a tocar. A Srta. Garcia discretamente saiu da minha sala.
- Sim?
- Hora do show – Abby estava mais empolgada do que antes.
Deixei o relatório sobre a mesa, recolhi meus pertences e saí de volta a sala de reuniões. Olívia e Nicole já aguardavam por mim, mas Tanya ainda não havia aparecido. O que ela estava aprontando?
- Paul e Bruno?
- Estão chegando. Bruno foi pegar um relatório que Alexa esqueceu de enviar – minha irmã estava animada. Com certeza havia convencido Olívia ou Paul a fazer algumas das suas vontades.
- Vamos entrando. Preciso da ajuda de vocês para um problema.
- Tanya? – minha mãe já sabia que quando eu me referia a um problema ele com certeza estava ligado a minha esposa.
- Sim. O problema das doações. Não posso liberara a verba enquanto não tiver certeza de que ela não colocará suas garras...
- Robert, eu pensei muito sobre o assunto e tenho uma ideia, se você estiver de acordo, é claro!
- Sim, Olívia. O que você pensou?
- Se Tanya acreditar que você não suspeita dela, ficará mais à vontade para continuar com suas armações, então quando estiver acreditando que não conseguirá alcançá-la, você terá provas suficientes para derrubá-la.
- Ela pode destruir o nosso patrimônio se demorarmos muito.
- Não. O valor é irrisório. Tanya nunca faria uma fortuna com o valor das doações, até porque ela está desviando apenas uma parte, já que precisa justificar suas ações.
- Não sei, Olívia. Ela vai trazer o assunto para a pauta.
- Deixe-a tentar. Nós vamos favorecê-la. Mas você vai exigir que eu a acompanhe de perto, e então teremos tudo o que precisamos.
- Já corremos riscos demais. Não posso colocá-la na linha de frente.
- Eu não corro risco. Vou apenas atrasar um pouco os planos dela. Enquanto isso você se concentra em achar a senha e trazer Melissa de volta – tocou em meu braço com carinho. Não queria colocar minha mãe naquela confusão, mas se eu quisesse acabar logo com aquela história, então era melhor utilizar todas as armas.
- Certo. Mas por favor, tenha cuidado.
Tanya chegou junto com Paul e Bruno. Ela estava furiosa. Passou por todos sem se preocupar em ser educada. Abby entrou logo em seguida, ajustando os últimos detalhes.
- Vamos começar logo com isso. Ainda tenho coisas para resolver e não posso perder muito tempo. Paul você...
- Um minuto – Tanya interferiu levantando e encarando a minha família. - Eu gostaria de trazer um problema e pedir ao conselho que vote a meu favor – olhou para mim e eu sinalizei que continuasse. Sentei em minha cadeira, cruzei as pernas e aguardei pelo seu espetáculo. – Como todos sabem fomos vítima de uma armação criminosa...
Ela continuou falando, utilizando toda a sua capacidade de persuasão para convencê-los em seu propósito. Tanya se expressava de uma maneira fantástica. Ela era uma líder nata e como tal, conduzia facilmente qualquer simples mortal a uma guerra nuclear apenas para atender aos seus caprichos. Era certo de que ela conseguiria o seu objetivo, se não fosse por um único detalhe: todos sabiam que ela era a culpada.
- Por isso eu peço que votem para a liberação da verba. O grupo pode sofrer um significante impacto caso as doações sejam suspensas, como o nosso CEO pretende fazer. Não é do nosso interesse travar uma luta com...
Foi quando a porta da sala de reuniões abriu. Olhei curioso e irritado por sermos interrompido, mas parei chocado, sem acreditar no que estava vendo. Melissa estava parada a porta. Muito eu poderia observar naquela imagem, no entanto não foi o seu rosto perfeitamente maquiado, ou sua roupa alinhada e visivelmente cara, muito menos as joias que ela ostentava que chamou a minha atenção. Apenas o fato de ser Melissa a minha frente. A mulher da minha vida, meu anjo salvador, a mesma que eu havia buscado por três meses sem saber onde encontrar, foi o suficiente para me desarmar.
- Melissa! – todos estavam tão espantados quanto eu.
- Reunião do conselho sem a minha presença? Não acredito que isso seja possível – então me dei conta. Aquele não era o seu sorriso. Aqueles não eram os seus gestos.
Ela caminhou lentamente sem me olhar por um único instante. Seus passos eram fortes, decididos e cheios de certeza. Ela parou na extremidade oposta a minha e enfim me encarou.
- A maior acionista deste grupo não foi comunicada a respeito desta reunião. Antony? – o homem que a seguia se adiantou e entregou alguns papéis a Abgail imediatamente tratou de distribuí-los. Continuei petrificado, olhando aquela mulher tão familiar e ao mesmo tempo estranha. Nada do que eu sentia conseguia ultrapassar as barreiras que pareciam suspensas entre nós dois.
- Isso é um absurdo! – Tanya foi a primeira a se manifestar. – Robert? Como você explica?
- É exatamente o que vocês estão lendo. Eu, Melissa, sou a maior acionista do grupo C&D Medical System. Comprei as ações do Sr. Carter. Todas. Por isso declaro que esta reunião está encerrada. E que este deslize não volte a acontecer.
Puta que pariu? O que eu fiz?

CAPÍTULO 2

Robert me olhou com emoção. Quase, por um segundo eu pensei em voltar atrás. Mas precisava ser forte o suficiente para seguir em frente. Aquele reencontro não seria nem um pouco próximo do que ainda teríamos pela frente. Ele teria que ser forte. Eu teria que ser forte.
- Reunião do conselho sem a minha presença? Não acredito que isso seja possível – Evitei olhar em sua direção. Era difícil demais manter-me firme diante do seu olhar. Principalmente depois de tanto tempo. Porém foi impossível manter-me distante da sua presença. Robert era como um imã. - A maior acionista deste grupo não foi comunicada a respeito desta reunião. Antony?
Sinalizei para que meu advogado cuidasse de comunicar as novidades. Abby, como havíamos combinado, tratou de ajudar. Neste momento minha atenção estava toda voltada para Tanya. Era o golpe que ela precisava levar e o que eu sonhei e projetei por longos três meses. Sorri deliciada com a sua reação.
- É exatamente o que vocês estão lendo. Eu, Melissa, sou a maior acionista do grupo C&D Medical System. Comprei as ações do Sr. Carter. Todas. Por isso declaro que esta reunião está encerrada. E que este deslize não volte a acontecer.
- Como? Mel? Você... – Nicole levantou e caminhou em minha direção. Tive o cuidado de manter-me fria e distante. – O que está acontecendo? Onde você esteve? Robert... – e então ela se deu conta que estava em meio a um golpe.
Em instantes eu vi as emoções modificarem no rosto daquela que havia sido minha amiga. Ela olhou para Olívia e para Robert e depois para mim. Seus olhos cheios de lágrimas e dor.
- Explique isso – falou ainda sem conseguir acreditar.
- Eu explico – Antony tomou a frente enquanto eu caminhava pela sala. Robert não tirava os olhos de mim. – O Sr. Carter vendeu suas ações a minha cliente. Todas, como já foi dito. Desta forma, estamos aqui assumindo a direção do grupo C&H Medical System, como é de direito.
- Impossível! – Tanya esbravejou, espantada demais para manter a compostura.
- Não. Vocês receberam uma cópia do contrato de venda. Assinado pelo Sr. Carter e pela Sra. Melissa – Antony me olhou com receio, tomando o devido cuidado para não mencionar nada além disso.
- Robert não pode vender as ações dele. Eu sou a esposa. Eu tenho direito sobre elas.
- Não sem o pedido de divórcio datado anteriormente a assinatura do contrato – tomei a palavra sorrindo triunfante. – Eu sou a dona de tudo. Nosso querido Robert Carter teve o cuidado de manter em segredo o nosso acordo, mas agora eu estou de volta e ansiosa para voltar ao trabalho.
- Robert? – Olívia parecia chocada com a minha revelação. Robert continuava me encarando. Seus olhos eram um pouco de tudo: medo, raiva, tristeza e saudade. Saudade! Eu não poderia me permitir.
- Ela está falando a verdade. Sinto muito! – desviou os olhos e se mexeu desconfortável em sua poltrona.
- Por que você fez isso? Sem conversar com o conselho, comigo que sou seu irmão. Robert, eu pensei que seus planos eram outros – Bruno estava perdido. Incapaz de entender que naquele momento, eu e Robert não éramos aliados e sim inimigos. Talvez mais do que Robert e Tanya.
- Não é nenhum segredo que Robert e eu éramos amantes até pouco tempo. No auge da sua guerra com Tanya ele me convenceu a assinar este documento. Um pouco antes do conselho aprovar as novas medidas, que o impediria de me vender as suas ações sem o consentimento de vocês.
- Então é tudo uma jogada, Robert? Vocês agiram para me impedir de ficar com as ações? – Tanya não escondia a raiva, mas Robert nada dizia. Ele me observava, como um fera analisando a sua presa.
Os demais mantinham-se calados, acompanhando o que acontecia. Na certa não sabiam como se comportar, já que tudo poderia ser mais uma das armações do CEO do grupo.
- Esta venda não pode existir. Melissa não possuía recursos financeiros para comprar ações com o peso comercial que são as do grupo – Tanya sacou o celular e ia começar a discar para alguém quando a interrompi.
- Existe uma conta em meu nome, onde periodicamente um valor era depositado. Claro que vocês podem imaginar de onde este dinheiro saía. O fato é que eu, da noite para o dia, passei a ter muito dinheiro. O mesmo que foi utilizado para a compra das ações. Existe uma tramitação bancária que comprova que o dinheiro saiu da minha conta, com a minha autorização e foi depositado na do Sr. Robert Carter. Um valor justo, apesar de alto.
Todos olharam para Robert, que continuava me encarando, sem reagir. Ele suspirou audivelmente e se inclinou sobre a mesa.
- Era para garantir a sua segurança – foi como se as demais pessoas não estivessem ali. Ele falava e olhava diretamente para mim. Seus olhos queimavam-me.
Foram três meses me preparando para aquele momento. Três meses aprendendo a ser indiferente, fria e calculista. Mas olhando Robert. Voltando a sentir sua presença, tudo se tornava muito mais difícil do que fui capaz de prever.
- Bom, garantiu. Obrigada! – Forcei um sorriso diabólico.
- Era só o que me faltava. Essa... Desclassificada vai ficar com as suas ações? Eu não vou admitir. Vou entrar com um recurso na justiça para cancelar a venda. Você não está em seu juízo, Robert. Só pode ser isso. Como sua esposa mandarei te interditar.
- Interditado ou não, o contrato tem valor legal, Tanya – ela me olhou com ódio. – Como você mesma disse: essa foi a foda mais cara que ele pode ter – sorri desafiadoramente. - Obrigada a todos. Vamos remarcar esta reunião para amanhã, mesmo horário, mesmo local. Anotou tudo, Abgail?
- Sim. Anotado.
- Ótimo! Agora por favor, voltei ao trabalho. Estamos em uma fase excelente e as empresas não funcionam sozinhas – virei-me rapidamente. – Tanya, Robert, em sua sala... Melhor, em minha sala – e sorri triunfante dando-lhes as costas.
Caminhei sem me alterar. Antony me acompanhou, mas aguardou junto com Abgail do lado de fora. Tanya e Robert entraram juntos. Ele parecia não saber o que esperar. Seus olhos eram especulativos. Buscavam por algum sinal. Nada dizia. Já a sua esposa caminhou em minha direção batendo palmas.
- Um ótimo golpe, mas eu vou provar na justiça que vocês dois tramaram este circo para conseguir tirar o que é meu por direito. Meu marido e a amante. Ele dando o dinheiro que ela precisava para justificar as vendas das ações. E de onde veio este dinheiro, Melissa? Isso você terá que explicar ao juiz. O que será que a sociedade fará com esta informação?
- Ao contrário de você, Tanya, eu não me importo com o que a sociedade vai dizer. Se não fosse desta forma eu nunca aceitaria ser amante – Robert colocou as mãos nos bolsos e inclinou a cabeça para o lado, analisando as minhas colocações. – Vamos ao que interessa. Eu sou a nova acionista majoritária, goste você deste fato ou não. Meu advogado está lá fora e você pode pedir para o seu procurá-lo para discutir a situação. No momento eu quero definir algumas regras.
- Que regras, garota? Você enlouqueceu? Somos um grupo sólido. Respeitado e venerado no mercado mundial. Não vai ser você que vai chegar colocando ordem na casa. Existe um conselho e nenhuma decisão pode ser tomada sem a aprovação deles. Se está pensando que conseguirá me afastar está muito enganada. Eu sou a segunda maior acionista, tenho direitos e poderes que a impede...
- Chega, Tanya! Guarde sua petulância para quem ainda tem paciência com você – olhei sugestivamente para Robert. - Quero um responsável pelo desfalque nos projetos de doações do grupo. Não sou Robert e definitivamente não tenho motivos para temer as suas ameaças. Quero um culpado ou a acusarei de desfalque. É melhor pensar em uma desculpa justificável – ela ficou chocada com o que eu dizia. Sua boca abriu para um resposta, contudo nada disse. Robert estreitou os olhos.
- Posso dar um jeito nisso – e a ameaça estava lá. Era o que eu precisava para agir.
- Tenho certeza que sim. Eu sei quem é você. Sei do que é capaz. Mas não vou me sujar com este jogo imundo de vocês. Meu único objetivo é cuidar do que me pertence. Se você e Robert vão gradear por uma merda de uma senha, façam isso longe das minhas empresas – ela sorriu com ironia.
- Espero que você esteja bem satisfeito, Robert. Sua amante ainda vai destruir tudo pelo que lutou para manter de pé.
- Ex-amante – mais uma vez ele me olhou em choque. – E por falar nisso... Robert? Você está demitido.
- O que? – falaram ao mesmo tempo.
- Não pode fazer isso. Ele é o CEO. O melhor gestor que já tivemos. Você enlouqueceu. Que espécie de golpe é esse? – Tanya permanecia alarmada. Sem entender até onde eu seria capaz de chegar.
- Melissa, eu posso conversar com você? – arqueei uma sobrancelha e cruzei os braços. – A sós – sua mandíbula trincada indicava que ele estava em seu limite.
- É uma armação? Vão discutir agora as regras desta brincadeira? Estão pensando que vão me enganar com esta encenação? Eu não vou cair nesta história, Robert. Entendeu? Vá fundo, Melissa. Demita-o.
- Já está feito – dei a volta na mesa e sentei em sua cadeira imponente.
- Não está, não! – ele esbravejou. – Você sumiu por três fodidos meses. Foi embora sem nenhum sinal de vida. Enlouqueceu-me, torturou-me, destruiu-me e volta desta forma? Eu não lhe dei as ações. Era apenas uma manobra para impedir que Tanya as alcançassem. Foi uma forma de manter minha promessa. Droga!
Ele finalmente explodiu. Temi pelo que seria capaz de dizer e principalmente por até onde eu conseguiria ir. Mas o plano não era aquele? Robert não precisava estar destruído, humilhado? Não era este o meu objetivo, ou parte dele? Então por que meu coração não entrava em acordo com minha mente e aceitava que teria que ser daquela maneira?
- Você me deu o dinheiro?
- Droga, Melissa!
- Sim ou não? – ele me olhou com raiva e frustração. Passou as mãos nos cabelos puxando o ar com força. – Sim ou não, Robert?
- Eu confiei em você.
- E eu em você. Pelo visto as coisas não aconteceram como esperávamos, não foi?
- Melissa...
- Você me deu o dinheiro?
- Sim – sibilou.
- Eu assinei a transferência do valor? Assinei o contrato de compra e venda?
- Não seja cínica – rosnou. – Você sabe muito bem que eu fiz isso porque acreditei que você nunca teria coragem de me roubar.
- E eu te roubei? Até onde sei, tudo foi feito na mais perfeita legalidade – entrelacei meus dedos sobre a mesa.
- Merda! – gritou batendo na mesa. – Não faça isso. Não faça isso comigo, Melissa. Eu.. Droga! O que aconteceu? Qual o motivo disso tudo? Eu não entendo – deu dois passos para trás, os olhos suplicantes e a autoconfiança totalmente abalada.
- Você me enganou, traiu, humilhou... Foi desonesto em diversos pontos. Usou meus sentimentos, minha confiança, me envolveu nesta sujeira que é a sua vida. Mentiu! Você transou com uma garota de 17 anos. Aqui – abri os braços indicando a sala. Foi impossível conter toda a minha indignação. Eu estava ferida, magoada, irritada e com medo. – E teve a cara de pau de me dizer que eu fui a única a quebrar as regras – ri sarcasticamente. – A única? Até onde você iria por esta senha, Robert? – à medida que eu falava ele recuava, atacado pelas lembranças e culpa. – Você sabe que Tanya é a culpada pelo meu atentado e mesmo assim a acobertou, por que? Se eu era a sua vida, a pessoa que você amava. Como pode?
- Está se vingando de mim? – sua voz saiu engasgada. – É isso? Tudo o que eu fiz por você não foi o suficiente para provar o meu amor?
- Amor? Eu quase morri por você. Eu enganei, menti, trapaceei. Eu fui o que você queria – levantei encarando-o com a mesma intensidade que ele me cobrava. – O que recebi em troca? Uma ameaça. Uma louca psicopata tentando tirar a minha vida. Nenhuma chance de que suas promessas se tornasse uma realidade. Este jogo nunca terá um fim. Para vocês dois, é claro. Para mim acabou. Estou pegando o que me pertence e colocando o lixo para fora.
Tanya riu alto. Na verdade ela gargalhou, mas Robert continuou me olhando, sem abandonar sua ira, porém deixando transparecer toda a sua dor. Eu o traí, assim como ele fez comigo muitas vezes. Então por que não conseguia prazer?
- Detesto admitir, mas você vai precisar do aval do conselho para demitir o Robert. Ele tem o controle das ações dos demais membros e aposto que nenhum deles o destituirá do cargo. Salvo se eu for a favor – ela o olhou. Era fácil deixar que Tanya sentisse o poder em suas mãos. Robert, da mesma forma de antes, apenas me observava. – Eu serei contra, Melissa. Justiça seja feita, Robert é o nosso melhor gestor e você vai afundar o grupo mais rápido do que as batidas das asas de um beija-flor.
Fingi pensar no assunto. Na verdade era fundamental que Robert estivesse por perto. Constava no plano a necessidade de mantê-lo sob controle. Contudo eu bem sabia que Tanya não agia de maneira tão coerente sem esperar nada em troca. Ou ela via em mim uma aliada, o que era ótimo, ou apoiaria o marido na tentativa de me destruir, o que fugiria um pouco do meu objetivo.
- Tem razão. Nos dois pontos apresentado. Não posso negar que Robert Carter não é um profissional que possa ser descartado – ele bufou impaciente. – Ok. Robert, está readmitido, mas vamos reformular seu cargo.
- O que?
- Eu tenho que participar ativamente do que acontece em minhas empresas. Não posso aceitar que vocês dois continuem gerindo meus negócios deixando-me cega.
- O que exatamente você quer, Melissa? Quer que eu continue aqui dentro olhando você usurpar de tudo o que é meu? Quer que eu a ajude a gerir o que roubou de mim? Não conte com isso. Quer as empresas? Aprenda a administrá-las – Robert girou em retirada. Meu coração acelerou.
- É melhor você não sair desta sala – ele parou diante da minha ameaça, voltando a me observar. Lentamente, sustentando o seu olhar, sentei e cruzei as pernas. Mantive o sorriso no rosto, apesar de estar devastada por dentro. – Você quer mesmo destruir tudo? E a sua promessa? E Maximus? – ele suspirou e passou as mãos nos cabelos.
- Eu desisti de tudo quando precisei abrir mão de você, mas agora vejo que nada valeu a pena. Tudo o que eu fiz foi lutar pra mantê-la afastada desta merda. Eu não queria envolvê-la. Não tive outra escolha, Melissa. Agora você está aí. É dona de tudo o que eu guerrilhei para manter. Até então eu pensava que Tanya havia sido a minha pior decepção. Mero engano.
Senti suas palavras pesarem em minha mente. Por um segundo acreditei eu não conseguiria. Porém era necessário. Eu precisava continuar.
- A decepção muitas vezes é necessária para o aprendizado. Veja o meu caso. Muitas vezes pensei que a decepção me destruiria, no entanto, em todos os momentos eu renasci das cinzas, mas forte e determinada – tentei colocar ironia na voz, contudo minhas palavras saíram tão verdadeiras que me fez estremecer. – Você vai superar – peguei o telefone e disquei para a minha mais nova secretária.
- Sim?
- Pode entrar.
Pouco tempo depois Abby e Antony entraram. Ambos sem jeito para vivenciar aquela situação. Robert olhou rapidamente para Abgail, que desviou os dela, me encarando.
- Abby, por favor, apresente Antony a Nicole. Diga que eu quero que ele conheça a empresa, todos os setores, e que tem carta branca para qualquer coisa que necessite, além de liberdade para todos o material confidencial – ela fez um gesto concordando. – Solicite uma nova mesa para esta sala, eu e o Sr. Carter vamos trabalhar juntos a partir de agora. Não preciso de um computador, trarei o meu. Você irá se reportar a nós dois, apesar de eu ser a autoridade máxima. Entendeu?
Ela olhou para mim e depois para Robert, que a olhava com atenção. Abby desviou o olhar, demonstrando timidez. Ela era mesmo muito cínica e dissimulada. Mas este era o nosso acordo. Ele não poderia saber que nossa secretária fazia parte do meu grupo de aliados. Precisava fazê-lo acreditar que ainda podia confiar na irmã da sua esposa.
- Como você quiser. Tem preferência de local? Digo, para ajustar a mesa – olhou para Robert de soslaio. Fiz uma careta pensando no que sairia da minha boca. Se não fosse tão complicado eu poderia rir.
- Sr. Carter? O senhor tem alguma preferência para o local da sua nova mesa? – ele estreitou os olhos e abriu a boca para responder. Contudo parou antes de se permitir contestar. Passou as mãos nos cabelos e negou com a cabeça. – Então fique à vontade para escolher, Abgail. Desde que eu não precise me acotovelar com o nosso CEO... – Dei de ombros.
- Mais alguma coisa? - Abby demonstrava ansiedade.
- Não. Na verdade acompanhe a Sra. Carter. Eu preciso começar a trabalhar. Sr. Carter, coloque-me a par de tudo o que está acontecendo – evitei olhar diretamente para ele.
Fez-se um silêncio constrangedor. Tanya permanecia de pé, me olhando com raiva. Robert parecia ansioso para estar sozinho comigo. Eu estava nervosa e com medo deste momento. Eu seria forte o suficiente?
- O que estão esperando? – arqueei uma sobrancelha e cruzei os braços.
- Com licença – Tanya sibilou saindo logo em seguida. Abby e Antony a acompanharam.
No mesmo instante em que a porta fechou eu senti o peso das minhas atitudes sendo cobradas pelo olhar do meu ex-amante. Respirei fundo e levantei os olhos em sua direção. Robert estava lá. Imóvel. Cobrando-me sem nada dizer. A conexão ainda existia com toda a sua força. Ele estava mais magro, os cabelos mais compridos e a barba por fazer. Ainda assim, era a criatura mais perfeita e fantástica que eu já pude contemplar. Engoli em seco. Estava sufocante. Aquela sala parecia minúscula para nós dois devido a tanto de sentimentos contidos.
- Eu preciso... – minha voz saía fraca. Impossível de ser controlada. – Preciso ir ao banheiro – imediatamente trilhei em direção ao banheiro, fechando a porta atrás de mim.
Liguei a torneira, mas mantive-me parada, olhando a minha imagem no espelho e repetindo mentalmente que aquilo tudo era necessário. Foi quando ele abriu a porta e entrou, no que então me pareceu minúsculo, banheiro, meu coração perdeu uma batida.

CAPÍTULO 3

Olhei, através do longo espelho, para Robert Carter, lindo, imponente, outra vez seguro de si. Ele me encarou aguardando. Eu não conseguia respirar. O que aconteceria? O que eu poderia dizer? O que ele diria? Puta merda!
- Posso processá-lo por assédio, Sr. Carter – virei para encará-lo diretamente. Forcei-me a manter um sorriso irônico nos lábios. Ele nada disse. Apenas me observava. – O que tem para dizer de tão importante que não pode esperar que eu deixasse o banheiro?
- Qual é o jogo, Melissa? – mantinha a voz baixa. Desafiadora.
- Jogo? – ri irônica. – Você está trocando as pessoas, Robert – ele deu um pequeno passo em minha direção, mas meu corpo reagiu com força ao sentir que ele se aproximaria ainda mais. Merda!
- Qual é o problema? O que aconteceu? – parecia mais gentil, porém seu olhar de águia analisava todos os meus gestos.
- Eu já te disse o que aconteceu? O que mais precisa que eu explique? – recuei um pouco e fiquei limitada pela bancada da pia. Minha respiração estava acelerada e precisei fazer um esforço enorme para não gaguejar.
Droga! Não estava nos meus planos aquela aproximação. Era para ele me odiar. Era para desejar a minha morte. Então porque ele me olhava de maneira tão suplicante?
- Mel! – levantou a mão para me tocar.
Aquele mínimo segundo pareceu uma eternidade. Todo o tempo parou, o mundo deixou de girar, o som não existia mais. Apenas Robert e eu, presos naquele banheiro sufocante que naquele momento valia toda a minha existência. Tudo porque ele me tocaria. Após três míseros meses implorando para que eu não desejasse tanto aquele instante, lá estava eu, ansiosa para que ele completasse a distância e tocasse a minha pele. Ao mesmo tempo eu implorava para que ele não o fizesse. Para que me deixasse em paz e pudesse concluir o plano.
E então ele me tocou.
Foi como antes. Fechei os olhos. Meu corpo se acendeu. Meu sangue correu com força nas veias. Meu ar ficou preso nos pulmões. Era ele. Robert estava lá. Sua pele na minha. Seu toque quente. Droga! Eu não podia! Eu não podia! Eu não podia!
- Senti tanto a sua falta! – mais um pequeno passo e seu corpo estava muito próximo. Ele sussurrava. Sua voz aveludada. Puta merda! Eu não podia! – Olhe para mim!
Respirei fundo forçando minha mente a aceitar que aquilo era perigoso e que ceder seria estragar tudo. Eu precisava entender, aceitar e continuar. Por mim, por Abby e por todos que foram subjugados, humilhados e destruídos por causa daquele jogo inescrupuloso, imundo e desumano. Tinha que ter um fim. Porque ninguém recomeça sem finalizar. Não pode existir restos, sobras, pendências. Tudo precisava ser concluído.
Abri os olhos e encarei aquela íris cinza, cheias de amor e desejo. Era muito mais bonito e perfeito do que minha mente conseguia retratar. Ele aguardava por mim. Seus olhos vagando entre meus lábios e olhos.
- Tire suas mãos de mim – minha voz fraquejou. – Tire as mãos de mim, Carter.
- Por que? Vai levar tudo de mim, agir como se não valesse nada a nossa história, negar que também passou todos estes dias ansiando para estar comigo? Mel? Olhe para mim! – segurou meu rosto com as duas mãos forçando-me a encará-lo. – Eu amo você!
E aquelas palavras forçaram minhas barreiras ao limite. Fechei os olhos e pensei em todo o meu sofrimento. Tudo o que vivemos. Todas as lágrimas. Tanya. O carro me atropelando. Nicole atingida, estendida no chão... Não! Não! Não!
- Olhe para mim – suplicou. – Mel, eu amo você! Só... Só me diga que isso tudo é um jogo. Que você está fazendo isso para tentar me ajudar a deter Tanya. Por favor! Melissa, olhe para mim.
Olhei para Robert determinada a continuar.
- Eu odeio você, Robert Carter – minha voz não ajudava muito. Não com ele com as mãos em mim. – Tire suas mãos de mim.
- Não. Você não me odeia. Pode até estar tentando, Melissa, mas está falhando miseravelmente – sua voz continuava aveludada. Uma carícia para os meus ouvidos, sentida em minha pele e acolhida em meu coração. Eu tinha que ser mais forte. Então dei uma risada irônica.
- Deixe-me, Robert! Eu não amo mais você. Aliás, acho que nunca amei. Apenas entrei em seu jogo e acabei me dando bem – ele sorriu.
Lentamente uma mão deixou meu rosto e desceu para meu pescoço. Minha pele correspondia ao seu toque. Puta merda! Era uma disputa desleal.
- Prove – sussurrou aproximando seus lábios dos meus. – Prove que você não me ama. Faça-me acreditar que tudo não passou de diversão – roçou seu nariz do meu queixo até a minha orelha. – Diga que não sentiu saudades – a voz rouca lançava chamas em meu corpo. Um convite tentador a perdição.
Enquanto uma mão tocava meu pescoço, a outra desceu até a minha cintura, desfazendo os últimos centímetros que afastavam nossos corpos. Estremeci visivelmente. Robert era forte demais em mim. Tê-lo tão próximo era o mesmo que me render. Que aceitar que eu era fraca demais para aquela disputa.
- É só sexo, Robert – ele sorriu daquela forma única. Que apenas ele conseguia e somente Robert Carter era capaz fazer. Aquele sorriso era a minha perdição.
- Então diga – sua mão apertou minha cintura forçando-me em sua ereção. Puta merda! Como fugir. – Diga que você não me quer mais e eu aceito – seus lábios roçaram meu pescoço. Eu podia sentir a umidade no meio das minhas pernas. Meu sexo latejando implorando por ele. Não! Não! Merda! – Diga que não me ama, que foi tudo mentira – levou os lábios em direção aos meus, parando um milímetro de distância.
- Eu não amo você – minha voz saiu tão baixa que foi quase impossível ouvi-la. Ele sorriu.
- Não? – roçou os lábios nos meus. Suspirei sentindo um espasmo correr meu corpo.
- Não – eu estava rendida. Sua mão me forçou um pouco mais.
- Repita – a outra mão subiu em minha nuca, posicionando meu rosto para o seu beijo.
- Eu... – puxei o ar. – Eu não amo você – soltei o ar aliviada por conseguir dizer. Ele me puxou ao seu encontro, acariciando a base das minhas costas.
- Vamos lá, Melissa. Você pode fazer melhor do que isso – filho da puta! Ele sabia que eu perderia. Sabia que meu corpo não aguentaria mais. – Diga que não me ama.
Seu hálito quente, seus lábios deliciosos, suas mãos imperativas. Eu não conseguiria mais.
- Eu... Eu não te amo...
E seus lábios cercaram os meus. Tomaram-me com propriedade. Senti aquele gosto tão desejado, aquele calor tão sonhado. Foi com atear fogo em um barril de pólvora. Eu e me vi rendida, entregue, sedenta por aquele homem que destruiria todos os meus planos.
Sua língua tocou a minha, abrindo espaço em minha boca e forçando-me a aceitá-lo. Foi um beijo forte, dominador, que não permitia recusa. E então ele me abandonou, levando os lábios por minha pele e explorando com os dentes a minha pele fervente.
- Diga que não me ama – rosnou com a boca colada ao meu pescoço.
- Eu... - outra vez ele me beijou com força. Sua mão firme em meu cabelo, ditando suas regras. Um beijo feroz, saudoso, cheio de desejo. Involuntariamente me remexi em sua ereção, causando um gemido extremamente sexual que saiu da sua garganta.
- Diga – forçou meu rosto pra trás, puxando meu cabelo e se apossando do meu pescoço.
- Melissa? – a voz de Dean preencheu o ambiente. Robert parou no mesmo segundo.
Rapidamente nossos olhos se encontraram. Ele confuso e eu assustada. Era a minha deixa. Eu precisava reverter aquele jogo.
- Eu não te amo mais. Como eu disse: é só sexo, Robert – e sorri cinicamente.
- Você está aí? – Dean bateu na porta do banheiro. Robert rosnou e fechou os olhos com força.
- Meu corpo reage a você, mas é só isso o que vai conseguir de mim. Eu não te amo mais – ele se afastou um pouco, e abriu os olhos me encarando como se não quisesse acreditar naquilo.
- O que Dean faz aqui? – suas mãos me apertaram com mais força.
- Tire as mãos de mim – fui mais firme ao senti-lo recuar. Era necessário, eu dizia insistentemente para mim, para que o meu corpo entendesse.
- O que. Esse. Idiota. Faz. Aqui? – Robert assumiu uma outra personalidade. Outra que eu também conhecia muito bem. Ele estava furioso e tomado pelo ciúme.
- Tire. As. Mãos. De. Mim – rosnei com raiva.
A porta abriu em um baque. Dean surgiu de uma maneira incrível, digna de filme de Hollywood. Robert enrijeceu e se afastou tomando a minha frente. Uma mão sua continuava em mim.
- Tire as mãos dela, seu cretino! – Dean sibilou
- O que você faz aqui? Quem te deu permissão para invadir a minha sala?
- A minha sala – ele me lançou um olhar que com certeza teria me feito recuar se Dean não estivesse lá para me apoiar e me deixar mais forte.
- Eu mandei você tirar as mãos dela, ou não respondo por mim.
- Venha me forçar a fazer isso.
Eles se encararam e a tensão foi se formando como uma névoa que ocupava todo o banheiro. Eles eram grandes demais e impetuosos demais para comportar aquele pequeno ambiente. Eu quase não conseguia respirar. Precisava evitar a qualquer custo que eles se enfrentassem.
- Não precisa, Dean. Robert sabe que não pode dar este passo – sorri forçando o medo a fugir do meu corpo.
- Ele está ao seu lado nesta farsa? – Robert estreitou os olhos e sua mão fez mais força em minha cintura.
- Mandei largar a Melissa, seu filho da puta! – Dean avançou e eu entrei na frente deles dois evitando o pior.
- Dean! Não é necessário – passei a mão em seu peitoral e as deixem em seu ombro.
- Fique longe dela – Dean continuava rígido, pronto para o combate. – Não vou mais avisar, Robert Carter.
- E quem é você para me avisar qualquer coisa? – Robert forçou. No mesmo instante meu coração falhou uma batida. Era a hora da verdade. Fechei os olhos ainda de costas para ele e deixei que minha cabeça encostasse no peito de Dean.
- Eu? – ele riu. – Não contou a ele?
- Dean, não...
- Contou? – eu sabia que aquilo mataria Robert. Dean riu mais uma vez e passou uma das mãos em minhas costas.
- Eu sou o marido dela.
Puta merda! Puta merda! Puta merda!
- Você... O que?
Ficamos em silêncio por um segundo que durou uma eternidade. Eu não podia olhá-lo, contudo, miseravelmente, force-me a virar para encarar a sua dor. E foi terrível. Senti as mãos de Dean em meus ombros e apenas isso me impediu de recuar.
- Você... Melissa?
O rosto perfeito do homem com que eu tinha sonhado um futuro feliz simplesmente se contorceu em uma careta de dor, angustia e tristeza. Sem que eu pudesse reagir ele se lançou contra mim, agarrando-me com força e me imprensando contra a parede ao lado. Não houve tempo para que Dean conseguisse me livrar das mãos de Robert.
- Você. Casou? – gritou em fúria. – Diga! Pelo amor de Deus, Melissa! Diga!
- Largue ela – Dean se forçou contra Robert que permanecia firme como uma parede.
- Diga! – continuou gritando, mas sua voz era de desespero, angustia... O mais terrível pesadelo.
- Eu vou disparar – Dean ameaçou e foi quando me dei conta da arma em sua mão.
- Dean, não! Não!
- Largue ela – ameaçou.
- Atire – Robert mantinha as mãos como garras em meus braços. Meu corpo preso contra a parede e seus olhos mantendo os meus em sua dor.
- Dean, ele não vai me machucar – falei olhando diretamente para Robert. – Ele não vai me machucar. Solte-me, Robert – mantive a calma focando a atenção em minha respiração.
- Você casou? Está casada com ele? – era uma acusação. Uma cobrança nítida.
- Casei – ele fechou os olhos com força. – Dean tinha razão. Você não seria capaz de me fazer feliz. Você tem Tanya e eu não tinha ninguém, Robert.
- Você me ama – a forma como ele falou soou como se eu estivesse cometendo adultério. Como se eu o estivesse traindo.
- Não – respirei fundo. – Eu. Não. Te amo, Robert. Eu amo o Dean. Sinto muito – minha voz era calma e serena.
Robert gemeu com raiva e avançou, mas caiu desmaiado antes que eu pudesse reagir.
Puta merda! Dean atirou.
***
- Eu não vou embora – as lágrimas corriam sem que eu conseguisse detê-las. Dean me arrastava para fora da sala tentado ao máximo não me machucar.
- Desculpe, Melissa! Eu precisei chamar o Dean. Fiquei tensa quando vi Robert entrando no banheiro atrás de você.
- Por que você fez isso? – continuei ignorando Abby que ajudava Dean a me levar embora.
- Porque ele ia te machucar – falou pela enésima vez, já completamente impaciente.
- Você atirou no Robert! – quase gritei. – Você enlouqueceu?
- Foi uma descarga elétrica, Melissa. Um choque para imobilizá-lo. Nada que vá matá-lo. Ele não ia te soltar. Aliás, ele iria te matar se eu não tivesse atirado.
- Ele não... Robert nunca... Droga, Dean! Preciso saber como ele está.
- Abgail vai cuidar de tudo. Agora precisamos ir, porque ele logo vai acordar e não será muito fácil voltar a te encarar – entrou no elevador, ainda me puxando pelo cotovelo e com a minha bolsa na outra mão. – Ou me matar. Resumindo, não vai ser nada fácil.
Deixei que ele me conduzisse. Minha cabeça estava uma perfeita confusão. Por que Robert avançou daquela forma? Eu estava indo longe demais, acreditando muito em seu autocontrole. Ele me mataria? Não. Ele nunca seria capaz.
- Você precisa ser mais forte. Nós já sabíamos que ele não aceitaria com tanta facilidade, então por que diabos aceitou ficar sozinha com ele?
- Não aceitei. Ele foi atrás de mim no banheiro. Eu só precisava de espaço. Droga!
- Agora tudo vai ficar pior. Fique preparada. Robert não deixará barato.
- Não precisava contar assim. Aliás, nem precisava aparecer. O que deu em você? Nós combinamos.
- Pois é. Nós combinamos. Somos casados agora, Melissa. Lembre-se disso. E dê graças a Deus que eu cheguei a tempo e o impedi de fazer o que bem queria com você – fiquei envergonhada enquanto ele me encarava cobrando uma postura mais firme.
- Ele não me machucaria, Dean.
- Sei – bufou e sacou o celular falando imediatamente. Eu bem sabia quem estava do outro lado da ligação. - Fique de olho nele – falou muito frio. – Claro que contamos que estamos casados – forcei minha mente a focar naquela conversa. Robert estava bem, assim eu queria acreditar, e Dean tinha razão. Nós precisávamos seguir em frente. Foi a minha escolha. – Ok! Encontro você em casa.
- Não sei como será a partir de agora. Precisamos ficar atentos a todos os passos dele – voltei a me sentir no jogo. Aos poucos a consciência foi se ajustando ao que era necessário fazer.
- Já providenciei tudo. Agora é só aguardar e se preparar para amanhã – ele me olhou quando as portas se abriram revelando a garagem. Respirei fundo e aceitei a sua mão na minha. Dean, antes tão frio e calculista, sorriu discretamente. – Vai ficar tudo bem, querida. Eu estou aqui.
- Obrigada!
A pior parte de ser rica, é precisar usufruir do dinheiro. Eu me senti suja, no entanto era necessário sustentar a imagem que minha posição exigia. Por isso fingi não me importar e entrei em meu luxuoso BMW prata, deixando meu marido conduzir o veículo. O dele estava com um dos seguranças, um pouco atrás de nós dois.
Outro fator que me incomodava era o apartamento que estrategicamente escolhemos para viver. Aliás, a perfeita cobertura, no mesmo quarteirão em que Robert vivia com Tanya. Coincidência? Definitivamente, esta não existia em meus planos. A distância da cobertura onde meu ex-amante morava com a louca psicótica da esposa dele, formava um perfeito paredão de concreto, com a diferença que a minha ficava para o norte e a deles para sul, ou seja, estávamos de costas um para o outro. Da mesma forma que estava a nossa vida.
Circundados por outros prédios, tão luxuosos quanto o meu. O que me permitia construir um perfeito corredor interligando-nos. Tanya e Robert não podiam fugir das minhas vistas. Era necessário todos os tipos de artimanhas para mantê-los sob controle.
Descemos do carro entregando as chaves para o manobrista e entramos no prédio como um casal apaixonado. Sabíamos que em algum lugar havia um dos aliados de Tanya nos observando, e sabíamos exatamente onde ele estava, mas fingíamos que não. Por isso sorri para o meu marido e selei seus lábios com um beijo apaixonado. Dean correspondeu como eu esperava e eu me senti morta por dentro.
- Vai ficar tudo bem – voltou a dizer acariciando meu rosto. E entramos no elevador, cada um perdido em seu próprio devaneio.

13 comentários:

Cleidi Natal disse...

EU amei esta overdose de docinhos, ou melhor, este inicio de livro. Perfeito!
Estou mais ansiosa pelo Função CEO 3 do que pelos meus presentes de natal.
Beijos Tatiana!
Já é sucesso

Márcia Silveira disse...

Nossa Tati esses capítulos só aguçaram ainda mais minha ansiedade pelo terceiro livro.... Já falei que vc é demais? Obrigada por nos presentear com esses capítulos....

Sheila Freitas disse...

Com este início, fico ainda mais anciosa, chega logo dezembro!!!
Parabéns Tatiana Amaral. Sucesso sempre!!

Tatinha Criativa disse...

Anciosa para dezembro.
Esses 3 capitulos so simplesmente perfeitos.
Obrigado por fazer o meu fim de domingo ser tao perfeito com um pouco desse casal tao apaixonante.
Muito sucesso Tatiana Amaral, pois vc merece!

Rubi Ludwig disse...

Muito bom, louca pra poder ler o livro inteiro, rsrs

Daiane Brêtas disse...

Louca para o lançamento... OMG...
#ParabénsTati

Raquel Gaiao disse...

Amei esses primeiros capítulos, porém nas partes disponibilizadas já estou odiando a Carol. Não gosto da Mel sofrendo. Que tipo de amiguinhos Robert e essa Carol estão sendo ( Louca para daber)
Sério por favor quando esse livro será lançado?
Tati amei essa trilogia parabéns. Vou recomendar a leitura as minhas amigas rsrd. Amei a nossa senhora descalcinhdas kkkk

Júlia Macedo Campolina Diniz disse...

Quando sai o livro revisado e completo para compra na amazon? Não me aguento de ansiedade

Beth Leonessa disse...

Parabens,amo seus livros!!
Adorando os docinhos!
Quero CEO 3!!

Carmen lucia disse...

Que saudade!!!! Quero mais... Adorei como sempre essa autora Tatiana Amaral e 10000 . Quando vaI lançar preciso de mais CEO

Isabelle Araújo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Isabelle Araújo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Hallana vanusse disse...

Gente alguém sabe quando sai o livro 3???

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