Docinhos: Função CEO - A Descoberta da Verdade (parte 7)

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"- Qual é o seu problema?
- Não! Qual é o seu? 
Ele estava tranquilo. Falava como se conversássemos sobre o dia, o frio, o inverno em Chicago. Sua voz não se alterou um único segundo e suas expressões permaneciam serenas. Enquanto eu estava nervosa, ansiosa e fodidamente excitada. Eu o odiava. 
- Se me quer tanto assim então porque não diz? Você levou tudo de mim. Minhas ações, meu dinheiro – passou a mãos pelos cabelos, capitando a minha atenção. – Está agindo da mesma forma como eu sempre agi, pegando tudo o que quer sem pedir permissão, não é isso? Então, se eu sou o que você quer, porque não faz logo de uma vez? É só dizer, Melissa.
- Não sei do que você está falando – suas palavras me magoavam consideravelmente. Ele não entendia os meus motivos e pelo visto nunca entenderia. – Eu amo o meu marido e é com ele que eu quero estar. Não quero você. Não sou como você e nem vou cogitar a hipótese de te aceitar como meu amante, se é isso o que está sugerindo – ele sorriu largamente. - Saia da minha frente, Robert!
- Um amante? Ótima colocação. Porque eu também não quero você como amante – pela primeira vez, desde que iniciamos aquela conversa, Robert se alterou. Sua voz ficou grave e as veias do seu pescoço subiram um pouco. – Eu quero você de volta e não vou deixar de lutar por isso. Não vou parar um único minuto até que você se convença de que me ama e que não existe a menor possibilidade de continuarmos separados.
Meu coração reagiu, porém eu não podia ceder. Eu precisava daquela força dele, mas também precisava que ele continuasse acreditando que era real, ou então ninguém mais acreditaria. Foi pensando nisso que sorri debochada ainda o encarando.
- Tudo isso para conseguir de volta as suas ações? – ele me olhou magoado como se minhas palavras abrissem uma ferida em seu peito.
- Você quer as ações? 
- Você não?
- Vou reformular, Melissa – endireitou os ombros e voltou a passar as mãos nos cabelos. – Tudo se resume as ações? Você quer ficar com elas?
- Claro! Eu...
- São suas. Eu não me importo. Se realmente estivesse interessado em reaver estas ações eu provara na justiça que fui vítima do meu próprio golpe. Claro que com isso poderia pagar caro, ser preso ou ter meu nome jogado na lama, ou as duas coisas. Mas eu tenho as imagens do dia em que você assinou o documento, posso provar que ele era falso e que foi assinado depois do acordo com os demais sócios, onde eu ficava impossibilitado de vendê-las sem o aval deles.
- E você não fará isso? Vai perder assim com tanta facilidade?
- Perder? Não, Melissa! Eu não estou perdendo. Estou ganhando. Com você eu nunca perco, é assim que continuo acreditando – engoli em seco sem conseguir reagir. – Eu não me importo, Mel – e seus olhos voltaram a ficar doces. – Antes com você do que com Tanya e só de imaginar que pelo menos não existe chance dela colocar as mãos em meu patrimônio, já fico mais aliviado. Não sei porque, mas sei que não deixei de confiar em você, seja lá o que esteja planejando.
- Mas, e a promessa?
- Estou cumprindo com o que prometi ao meu pai. A empresa ficará nas mãos da minha família – o mesmo sorriso cafajeste estava estampado em seu rosto. Tive vontade de esmurrá-lo.
- Não seja um cretino, Robert!
- Você será minha esposa, Melissa. 
- Ah, sim! Vai me dizer que seu acordo com Tanya vai acabar e finalmente você ficará livre para casar comigo.
- Não. Você tem as ações, então não posso, por hora, dá um fim nisso. Esqueceu que o acordo previa a venda das ações? Pois bem, estou atrelado a Tanya até que descubra como sair disso sem que ela acabe com a empresa.
- Entendi. E você quer me convencer a entregá-las para que enfim eu possa me tornar a sua esposa.
- Não. Você já está casada.
- E o que você quer? – levantei as mãos cansada de tentar entender o que ele pretendia com aquilo tudo.
- Você.
Foi impossível não me sentir tocada. Aquela simples palavra, dita com tamanho fervor e sinceridade, com a segurança de quem não tem dúvidas do que quer e de que não será, nunca, jamais, persuadido a desistir. Nada do que eu fizesse o faria mudar a direção dos seus desejos. 
- Por que?
- Porque? – seu sorriso tão perfeito e genuíno ofuscou todo e qualquer pensamento meu. – Porque eu te amo! Eu amo tudo em você. Amo mesmo suas atitudes loucas e mesmo sem entender o porquê disso tudo, continuo te amando e acreditando. 
- Mas...
- Não tem como impedir, Melissa. Você me atingiu em cheio, com toda a sua força. Tirou o meu chão, desestabilizou a minha vida, perdi o foco e não posso lutar contra. Você casou com outro? Isso é uma grande merda, com toda a certeza. Cheguei a acreditar que o que eu sentia morreria ou se transformaria, com a mágoa, em ódio, no entanto estou aqui, ansioso para te beijar outra vez, para te tocar e poder te sentir minha. Não sou eu, mas sim tudo em mim, cada pedaço, cada célula, cada filamento. Roubou minhas ações? Outra grande merda, e mesmo eu não sabendo o seu propósito, me fez sentir tanto ódio... Mas, entenda, Melissa. Eu não sou perfeito. Fiz tantas besteiras, passei por cima de tanta gente, provoquei esta e outras situações. E você também não é perfeita, mas ainda assim, é tão perfeita em suas imperfeições que eu não consigo pensar em outra pessoa para estar ao meu lado. Mas eu sei que agora, agora, você está casada e magoada, e nada do que eu disse vai mudar. Eu só quero que você saiba, que entenda, que mesmo em ruína, eu estarei aqui. Esperando por você."

1 comentários:

Geisa Bono disse...

Robert é um perfeito apaixonado.Que linda essa atitude. Pelo que entendi Melisaa lhe rouba as ações mas ele continua acreditando nela porque seu amor o cega loucamaente.
Ai Robert te amo!

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